É preciso um Programa de Controle de Natalidade sério e efetivo, no Brasil

Uma das maiores demonstrações de irresponsabilidade social e falta de planejamento estratégico, no Brasil, está no fato de o país não possuir nenhum programa de Controle de Natalidade em andamento e, mais preocupante que isso, o tema não despertar interesse nas autoridades atuais. Não se vê debates sobre o tema.
Reportagem em telejornal mostra como é difícil, na atualidade, o acesso a medicamentos modernos e, conseqüentemente, mais caros. Para grande parte da população, especialmente pacientes com câncer, ter que acionar a justiça para conseguir seu tratamento já é procedimento padrão para conseguir a medicação. Isto se dá, devido ao preço destas medicações ser tão elevado que mesmo pessoas de classe A e B costumam ter dificuldades em adquiri-las. Nestes casos - quando existe uma medicação disponível na rede, que potencialmente controle uma doença específica, e o paciente não possua meios financeiros de adquirí-la - o governo tem o dever de fornecer o tratamento, gratuitamente.


Tratamentos que custam, em média, R$5.000 mensais.

Absurdo? Relativo.
Pra quem precisa do medicamento para manter-se fisicamente viável, vale cada centavo.

O desenvolvimento desses medicamentos requer muito investimento por parte da indústria farmacêutica. Até chegar ao ponto de ser comercializado, uma medicação moderna, como os chamados "imunobiológicos", passam por várias etapas de testes de segurança e eficácia, com um custo elevadíssimo, e tendo, além disso, risco de ineficácia terapêutica da substância estudada - e consequente perda de todo o capital investido - evento que NÃO É infreqüente).

Em alguns casos, a indústria farmacêutica realmente pode exagerar nos preços, mas o fato é que por mais que o governo negocie, essas medicações jamais serão acessíveis à população geral e seus custos tendem a aumentar cada vez mais, com a evolução tecnológica e a descoberta de novas drogas que trarão controle ou cura para males ainda incuráveis.
O poder público joga toda a responsabilidade na indústria farmacêutica e não toma nenhuma medida efetiva para a prevenção dos disturbios causados pelo descontrole demografico.
Resultado: vivemos num país onde o governo não consegue cumprir uma de suas funções básicas - a promoção de saúde, num sistema universal, como o SUS.

Exemplo: 1% da população mundial têm Artrite Reumatóide, uma doença deformante, crônica, de difícil controle e que, em alguns casos evolui para deformidade permanente e até incapacitação do indivíduo, caso não seja adequadamente controlada. Antes dos medicamentos "imunobiológicos", as opções terapêuticas existentes não davam conta de controlar devidamente a inflamação em uma parcela considerável destes pacientes. E impedem que o paciente se torne incapaz fisicamente.

Podemos escolher.
Uma não discussão sobre o tema, resultará no que já vemos hoje: explosão demográfica e caos urbano.
Daqui a alguns anos, 1% da população brasileira será aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Se tivermos 2 milhões de doentes com Artrite Reumatóide, podemos afirmar que aproximadamente 250 mil terão progressão da doença, apesar das medicações normalmente utilizadas. Esses necessitarão de um imunobiológico, com custo anual de tratamento em torno de R$50.000; Seria, no preço atual, R$12.500.000.000 que necessitarão ser gastos pelo governo, pelas operadoras de saúde ou pelos eventuais particulares.
É claro que o governo não irá gastar dinheiro com isso. Ainda mais uma conta salgada como esta. E olha que estamos nos referindo apenas a Artrite Reumatóide. Uma doença rara. Doenças hematológicas, como linfomas, muitas vezes requerem a mesma classe de medicação, com custo anual semelhante ou até mesmo superior.

O argumento de que essas medicações ficarão mais baratas com o tempo não se sustenta. Novas medicações virão, sempre mais eficazes e seguras. E, obviamente, mais caras.

Teremos, enfim, um cenário semelhante ao de hoje, ampliado.

Muitas pessoas, muitas doenças e assistência médica precária. Para o governo será sempre fácil culpar a indústria farmacêutica - que faz bem em ignorar as bravatas dos políticos brasileiros e continuar suas pesquisas.

Cabe a nós escolher: assistência de qualidade para uma população com expansão demográfica sob controle; ou briga judicial para conseguir o que seus impostos lhe garantem como Direito.

Ficar doente no Brasil, pode lhe condenar à incapacidade física, em alguns anos.




Comentários