Eleições: Marina e Serra divergem sobre independência do BC



Marina:manutenção da política macroeconômica e a independência não institucional do Banco Central

Por Ana Conceição (Isto É - Dinheiro)

A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, defendeu hoje a manutenção da política macroeconômica e a independência não institucional do Banco Central (BC), que, segundo ela, mostraram-se acertadas em tempos de crise. "Os instrumentos de política econômica contribuíram para que o País sobrevivesse à crise", afirmou. A senadora considerou que o País tem se saído melhor no atual cenário de turbulência econômico-financeira do que seus pares na Europa. "Estamos vendo que a crise na União Europeia, sobretudo por conta da Grécia, Portugal e Espanha, não está afastada", afirmou.

A pré-candidata avaliou como positiva a autonomia não institucional do BC. "A experiência brasileira mostra que o caminho da autonomia não institucional é positiva. Até para evitar o que aconteceu recentemente na Argentina", comparou. Marina se referiu à renúncia, no dia 29 de janeiro, do economista Martín Redrado ao cargo de presidente do BC da Argentina. Redrado havia sido destituído do cargo no dia 7 de janeiro, por decreto, depois de ter desobedecido a decreto da presidente Cristina Kirchner que criou fundo destinado ao pagamento dos vencimentos da dívida pública em 2010.

A pré-candidata do PV também defendeu a manutenção da meta de superávit primário, câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e controle da inflação, pilares macroeconômicos que foram seguidos pelos dois últimos governos. "A autonomia do BC e as metas de controle de inflação são o que nos fez sobreviver. A inflação não é boa para ninguém, principalmente para os mais pobres. Essas ferramentas precisam ser mantidas", ressaltou.

As declarações de Marina foram dadas em São Paulo, durante evento sobre segurança pública promovido pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), entidade que preside.

Serra: BC deve ter 'autonomia dentro de parâmetros'

Por Carolina Freitas

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador José Serra (PSDB), defendeu hoje que o presidente da República acompanhe de perto a atuação do Banco Central (BC). "O BC deve ter autonomia para o seu trabalho dentro de certos parâmetros, que são os interesses da estabilidade de preços e do desenvolvimento da economia nacional", disse o tucano após participar, na capital paulista, da abertura da APAS, feira do setor de supermercados.

Em entrevista à rádio CBN, na manhã de hoje, Serra disse que se eleito, daria opiniões sobre a atuação do BC. De acordo com o tucano, o BC "não é a Santa Sé" e não está "acima do bem e do mal". "Agora quem acha que o Banco Central erra é contra dar autonomia de trabalho dele?", disse o presidenciável. Questionado agora à tarde sobre o assunto, Serra esclareceu que não pretende, se eleito, mudar a relação entre o governo federal e o BC.

"O presidente nomeia a Presidência e a diretoria do Banco Central. Naturalmente, acompanha (o trabalho da instituição). Como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz e como qualquer presidente da República faz também", disse. "Você escolhe presidentes (do BC), então você sempre tem condições de dialogar", acrescentou.

Para o tucano, a gestão atual do BC "trabalha direito" e Lula acompanha a atuação da autoridade monetária. De acordo com Serra, o fato de o presidente da República indicar a diretoria do BC já mostra a proximidade que haverá entre eles. "Você vai escolher alguém com quem tenha uma razoável proximidade. Não vejo nenhuma relação conflitiva nisso", esclareceu.

Depois de responder de forma ríspida sobre a questão monetária à jornalista Miriam Leitão em entrevista na CBN, Serra tentou, agora à tarde, contemporizar. Disse ser "um grande admirador" da jornalista e atribuiu o tom de suas respostas ao horário. "Não fiquei incomodado (com as perguntas). Eram oito horas da manhã. Você espera que eu chegue sorrindo, como eu chego aqui?", questionou.

Em seu discurso, na abertura da feira, Serra defendeu a redução da carga tributária no âmbito federal e falou sobre iniciativas do governo de São Paulo, consideradas por ele bem-sucedidas, como a substituição tributária e a Nota Fiscal Paulista.

Após discursar, o tucano caminhou entre os estandes da feira, cumprimentando os presentes e tirando fotografias. O pré-candidato parou em pelo menos cinco estandes para conversar com diretores das empresas. Serra não resistiu ao ser convidado: "Presidente, vem comer um queijinho". No quiosque, ganhou de uma admiradora um pedaço de queijo na boca.


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