A grande pizza do Senado - já não é mais novidade!


14/07/2009

"Senado": por discordar de indicação de presidente, PMDB boicota instalação do Conselho de Ética.


BRASÍLIA - Por discordar da indicação do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) para presidir o Conselho de Ética que irá investigar as denúncias contra o presidente do "Senado", José Sarney (PMDB-AP), o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (PMDB-AP), em novo atrito com o líder do PT, Aloizio Mercadante (PT-SP), boicotou a abertura da primeira sessão, nesta terça, que elegeria o novo presidente.

No lugar de Valadares, indicado pelo PT, Renan e Sarney querem pôr na presidência o senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que, por ser suplente, sofreria menos cobranças da opinião pública. Revoltada com a manobra, a oposição avisou que não deixaria votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, consequentemente, o início do recesso parlamentar previsto para sexta-feira - mas isso não ocorreu. A LDO foi votada normalmente ontem.

Simon pede renúncia de Sarney em discurso emocionado

O senador Pedro Simom (PMDB-RS) faz discurso emocionado no plenário e pede mais uma vez a renúncia de José Sarney (PMDB-AP) da presidência da Casa - Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo

Também nesta terça-feira, pouco antes da eleição no plenário dos indicados ao Conselho de Ética, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez um discurso emocionado pedindo, desta vez, a renúncia de Sarney. O parlamentar já vinha defendendo seu afastamento. Simon falou, logo após o discurso de Virgilio pedindo ao Conselho para investigar a responsabilidade administrativa de Sarney na fundação que leva o seu nome.

" Ele tem que renunciar à presidência como seus antecessores. O que adianta encaminhar isso para o Conselho de Ética? Perdemos toda a credibilidade! Estou morrendo de vergonha! " - Pedro Simon

- Chegamos no limite! - desabafou Simon. Nessa altura não adianta mais o presidente Sarney se afastar. Ele tem que renunciar à presidência como seus antecessores. O que adianta encaminhar isso para o Conselho de Ética? Perdemos toda a credibilidade! Os membros do Conselho não foram indicados por suas qualidades, mas pela fidelidade, para fazer o que querem o líder Renan Calheiros e o Sarney, que controlam o partido (o PMDB).

Simon criticou mais uma vez a interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa. Na opinião do senador peemedebista, o presidente está "exagerando".

" A interferência dele (Lula) no Senado é humilhante! Está imitando os generais da ditadura " - Pedro Simon

- O Lula tem que ter mais respeito! Ele está bem! Mas a interferência dele no Senado é humilhante! Está imitando os generais da ditadura. Lula está exagerando do seu santo protetor, porque tudo está dando certo até agora. O Lula companheiro, sindicalista, está hoje mais para general da ditadura do que o Lula que um dia foi.

O senador afirmou ainda que o Senado está numa situação limite e disse não saber o que fazer.

- Estou morrendo de vergonha! Me dizem: vá para outro partido. Mas não tenho para onde ir meu Deus! Estou pensando em ir para casa. Não tenho mais nada a fazer aqui - concluiu o senador, afirmando que fora ao gabinete de Sarney para pedir que renunciasse, mas o presidente reagiu com tanta veemência, que desistiu.

15/07/2009


Conselho de Ética do "Senado" é instalado


BRASÍLIA - O senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), foi eleito nesta quarta-feira para presidir o "Conselho de Ética", o colegiado que vai investigar as denúncias contra o presidente do "Senado", José Sarney (PMDB-AP). A eleição aconteceu no dia em que o conselho sofreu três baixas, entre elas a do senador que presidiria o colegiado e foi boicotado por Renan.

Duque era o segundo suplente do então senador Sergio Cabral, hoje governador do Rio. Ao tomar posse nesta quarta, disse desconhecer as denúncias contra Sarney.

" Imagino a dificuldade de vocês, que foram eleitos. Eu não, sou suplente. Só gastei meia dúzia de reais para chegar aqui. Mas os suplentes têm grande importância nessa Casa! "

No colegiado, o parlamentar recebeu 10 votos da base do governo. A oposição, contrária à indicação de Duque para comandar o órgão, deu quatro votos em branco e uma abstenção.

Depois de empossado, Duque quis discursar de pé. Sua fala foi desconexa. Ficou emocionado e, depois, emudeceu. Bastante vermelho, parou, de braços abertos, encarando o plenário.

- Senta e tome um gole de água, por favor! - gritou Wellington Salgado (PMDB-MG), temendo que passasse mal.

Recuperado, Duque confessou que nunca esperava ocupar o cargo e chamou senadores de deputados. E fez uma apologia dos suplentes.

- Vou fazer minha primeira confissão: imagino a dificuldade de vocês, que vieram dos estados, que foram eleitos. Eu não, sou suplente. Só gastei meia dúzia de reais para chegar aqui. Mas os suplentes têm grande importância nessa Casa! São 20 suplentes ao todo! Só aqui nesse Conselho são cinco. E os suplentes têm que continuar existindo - defendeu.

Duque marcou para o dia 5 de agosto a primeira reunião do Conselho para eleger o vice-presidente e se posicionar em relação ao mérito das três denúncias encaminhadas pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e de uma representação do PSOL contra Sarney.

" Não sei do que se tratam as denúncias. Juro que não sei "

- Não sei do que se tratam as denúncias. Juro que não sei - disse Paulo Duque, se referindo aos escândalos envolvendo o presidente do "Senado".

Sobre o fato de ter sido indicado pela tropa de choque de Renan, Paulo Duque declarou:

- Não existe independência total na política, pode escrever isso. Isso existe em todo Congresso Nacional, em todo lugar e aqui também - afirmou.

O líder do DEM, senador José Agripino (RN), criticou a escolha:

- É uma presidência da exclusiva responsabilidade da ala governista. Ele foi indicado pela base e eleito pela base - afirmou.

Um dia após ser eleito, colegiado sofre três baixas

Até agora, o Conselho de Ética, que teve seus integrantes eleitos na terça-feira, contabiliza três baixas. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), indicado inicialmente para presidir o colegiado, foi um dos que deixou o órgão. Em seu lugar, assumirá a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que era suplente.

" A única coisa por que luto é a dignidade do meu mandato "

O nome de Valadares foi indicado pelo líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), mas não foi aceito por Renan, que queria uma pessoa mais ligada a seu grupo. Foi por discordar da indicação de Valadares para presidir o colegiado que Renan boicotou na terça-feira a instalação do Conselho .

- A única coisa por que luto é a dignidade do meu mandato - disse Valadares.

Em carta encaminhada a Valadares , Mercadante diz que ficou surpreso com a retirada do apoio do PMDB e com a decisão do senador de se desligar do órgão.

"A responsabilidade pelo desdobramento quanto à presidência do Conselho de Ética, no que se refere à base, passa a ser inteiramente da bancada do PMDB", diz o texto.

" Não é muito a minha praia ficar julgando colegas. Prefiro cuidar de coisas de interesse do meu estado "

Em ofício encaminhado na noite de terça-feira, o líder do PR, João Ribeiro (TO), também solicitou seu desligamento do colegiado. O suplente Augusto Botelho (PT-RR) assumirá sua vaga.

Senadores estão preocupados com a disputa eleitoral do ano que vem: querem evitar exposição com temas polêmicos às vésperas da eleição. Ribeiro negou, porém, que sua decisão tenha sido motivada pela pressão que integrantes do Conselho de Ética deverão sofrer do governo para que aliados do Palácio do Planalto preservem o presidente do "Senado".

- Não é muito a minha praia ficar julgando colegas. Prefiro cuidar de coisas de interesse do meu estado -justificou Ribeiro.

Renan diz que 'movimentos' no colegiado são normais

De acordo com Renan, o senador Gerson Camata (PMDB-ES), indicado como suplente, também pediu para sair. Camata é acusado de receber propina de empreiteiras e apresentar prestações de contas falsas para justificar gastos inexistentes.

Na avaliação de Renan, as movimentações no Conselho de Ética são normais. O senador negou ainda que haja manobra para blindar o órgão visando impedir a investigação de Sarney.

" Blindado, o conselho? Imagina! Esses movimentos acontecem "

- Blindado, o conselho? Imagina! Esses movimentos no conselho acontecem. No PMDB, o Camata (Gerson) também pediu para sair - disse o líder peemedebista.

Base usa maioria e elege presidente e relator da CPI

Também na terça-feira, após dois meses de indefinição, a base exerceu a força da maioria e elegeu o senador João Pedro (PT-AM) presidente da CPI da Petrobras . O petista escolheu o líder do governo no "Senado," Romero Jucá (PMDB-RR) para a relatoria da comissão.


O caso do coronel

Lucia Hippolito

As mais recentes denúncias sobre as estripulias do senador José Sarney estão longe de ser as últimas e apontam na mesma direção de todas as anteriores: a privatização de recursos e espaços públicos em benefício próprio. Ou de sua família. E o desprezo às leis do país.

Senão vejamos. Distraído, Sarney não reparou que recebia mensalmente R$ 3,8 mil de auxílio-moradia, mesmo tendo mansão em Brasília e tendo à disposição a residência oficial de presidente do Senado.

Culpa da burocracia do Senado.

Distraidíssimo, Sarney esqueceu de declarar sua mansão de R$ 4 milhões à Justiça Eleitoral.

Culpa do contador.

Precavido, requisitou seguranças do Senado para proteger sua casa em São Luís – embora seja senador pelo Amapá.

Milionário (embora o Maranhão continue paupérrimo), não empregou duas sobrinhas e seu neto em suas inúmeras empresas. Preferiu que se empregassem no Senado.

Milionário generoso, não quis deixar a viúva de seu motorista ao relento. Empregou-a para servir cafezinho no Senado, em meio expediente, com salário de R$ 2,3 mil. Ah, e alojou-a em apartamento na quadra dos senadores.

Generoso, não impediu que seu outro neto fizesse negócios milionários com crédito consignado no Senado.

Ainda generoso, entendeu que um agregado da família deveria ser também empregado como motorista do Senado – salário atual de R$ 12 mil – mas trabalhando como mordomo na casa da madrinha, sua filha e então senadora Roseana Sarney.

Aliás, Roseana considerou normal convidar um grupo de amigos fiéis para um fim de semana em Brasília – com passagens pagas pelo Congresso.

Seu filho, Fernando Sarney, o administrador das empresas, que sequer é parlamentar, considerou normal ter passagens aéreas de seus empregados pagas com passagens da quota da Câmara dos Deputados.

Patriarca maranhense, ocupou as dependências do Convento das Mercês, jóia do patrimônio histórico, e ali instalou seu mausoléu. O Ministério Público já pediu a devolução, mas está complicado.

Não é um fofo?

Um dos mais recentes escândalos cerca justamente a Fundação José Sarney, que se apoderou das instalações do Convento das Mercês. Consta que R$1.300 mil captados através da Lei Rouanet junto à Petrobrás, para trabalhos culturais na Fundação José Sarney foram... desviados.

Não há prestação de contas, há empresas-fantasmas, notas fiscais esquisitas.

Enfim, marotice, para dizer o mínimo. Mas Sarney alega que só é presidente de honra da Fundação.

Culpa dos administradores.

E o escândalo mais recente (na divulgação, não na operação): Sarney seria proprietário de contas bancárias no exterior não declaradas à Receita Federal. Coisa do amigão Edemar Cid Ferreira, amigão também da governadora Roseana Sarney a quem, dizem, costumava emprestar um cartão de crédito internacional. Coisa de gente fina.

Em suma, acompanhando as peripécias de José Sarney podemos revelar as entranhas do coronelismo, do fisiologismo, do clientelismo. Do arcaísmo.

Tudo isto demora a morrer. Estrebucha, solta fogo pela venta. Mas um dia desaparece.

Tal como os dinossauros.


E ENQUANTO ISSO, LULA DÁ UM SHOW NA OPOSIÇÃO:


Declaração de Lula sobre pizzaiolos incendeia "Senado".

Qua, 15 Jul, 07h42

BRASÍLIA (Reuters) - Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira ateou fogo no plenário do "Senado". Lula disse que os senadores são "bons pizzaiolos", o que causou uma imediata reação dos parlamentares.

"CPI é muito interessante para quem quer fazer carnaval, para quem quer investigar seriamente era preciso ter outro mecanismo", disse Lula a jornalistas. Perguntado sobre comentários de que a CPI acabaria em pizza, respondeu: "Depende, eles (senadores) são todos bons pizzaiolos".

Indignados, os senadores deram o troco e derrotaram no plenário a indicação de um diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Bruno Pagnoccheschi.

O líder do governo na Casa, e relator da CPI, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu que a sessão fosse suspensa para evitar estrago maior para o governo.

"A irresponsabilidade do presidente está passando de todos os limites", afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

A CPI da Petrobras foi instalada na véspera com controle da base governista, que ficou com a presidência e a relatoria da comissão e sob críticas da oposição de que a maioria do governo poderia fazer com que as investigações acabassem em pizza.



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