Bandidos derrubam Helicoptero da Polícia, durante invasão de bando no Morro dos Macacos

'Não foi só um, foram vários impactos', diz piloto de helicóptero abatido

O capitão PM Marcelo Vaz falou pela primeira vez sobre o caso.
Ele disse só pensou em levar a aeronave para um local seguro.

“Sentimos sim os impactos na aeronave. Não foi só um, foram vários". Foi assim que o capitão da Polícia Militar Marcelo Vaz de Souza, piloto do helicóptero que foi derrubado no sábado (17), no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, descreveu o momento do tiroteio.

Marcelo queimou uma das mãos, mas conseguiu levar a aeronave até o campo de futebol da Vila Olímpica do Sampaio, onde fez um pouso forçado. Ele disse que fez o procedimento de emergência porque ficou sem motor.

"Eu procurei naquele momento me abstrair porque tinha que levar aquela máquina para o pouso", disse ele, explicando que só pensava em levar a aeronave para um local seguro.

"O piloto é um tomador de decisões. As condições meteorológicas mudam, é um vento que muda, e no meu caso eu estava em pane. Eu lembrava de um pedreira no campo de futebol, então eu procurei sair para a pedreira", contou.

Vaz disse que a aeronave tombou à esquerda e o fogo consumiu rapidamente.

"Tivemos a oportunidade de retirar feridos do local e na altura do Morro São João fomos alvejados. Fizemos um procedimento de emergência e no final eu estava sem motor. A aeronave tombou à esquerda e o fogo consumiu rapidamente. Eu sai, o capitão Marcelo Mendes saiu, o cabo Patrício saiu, apesar de estar com um tiro na perna, o cabo Fernandes estava próximo à aeronave, eu o arrastei, levei para um local mais seguro. E infelizmente o soldado Canazaro e o soldado Standler não conseguiram sair".

O piloto deu entrevista antes da missa em memória dos colegas mortos em confronto realizada na manhã desta sexta-feira (23).

ELIO GASPARI

A guerra do Rio é uma metáfora cavilosa


FOLHA DE SÃO PAULO - 21/10/09



Uma cidade não pode ser transformada num cenário de prorrogação de um filme



O RIO GANHOU um novo problema, a blindagem dos helicópteros da polícia. (E por que só os da polícia?) Os três jovens mortos na entrada do morro dos Macacos são uma nota de pé de página. Três dias de desordens nas estações da Supervia já são coisa do passado. De uma hora para outra, o carioca sente-se num cenário de "Tropa de Elite".

Primeiro, ele parou de caminhar pelas ruas do bairro depois do jantar. Um país com a taxa de fecundidade de 6,3 filhos por casal não podia ir para a frente.

Depois, faz tempo, surgiram as grades nos jardins do recuo dos edifícios. Do Leblon ao Leme há algo como 10 mil metros de calçadas gradeadas, mas não poderia ser diferente: nessa época a população favelada do Rio dobrara de 335 mil pessoas para 722 mil.

Isso acontecia numa cidade em que, até 1983, pareceu irrelevante o fato de os ônibus não passarem pelo túnel Rebouças, inaugurado em 1966. Parecia natural que a choldra da zona norte não tivesse acesso fácil a Copacabana e Ipanema.

Na virada do século foi preciso blindar o carro. Pensando bem, era uma impropriedade estatística. A taxa de fecundidade das brasileiras caíra para 2,9 filhos por casal. Estavam nascendo menos pobres, portanto, não fazia sentido que a população favelada chegasse a 722 mil almas, quase 15% da população da cidade.

Aos perigos e transtornos impostos ao carioca somou-se a cenografia de uma guerra. A crise da segurança pública do Rio não é uma guerra. Pode ser pior, mas não é guerra. Os quatro anos da ocupação alemã em Paris foram menos cruentos que quaisquer quatro anos do Rio, desde 1980.

A ideia de uma guerra pressupõe um inimigo perfeitamente identificado e a disposição de se utilizar todas as forças disponíveis para submetê-lo. Guerra pressupõe tentar devolver o Vietnã do Norte à Idade da Pedra.

Não há guerra no Rio, o que há é uma metáfora de conveniência. Ela cria o cenário da emergência, mas não pode dar o passo seguinte, que seria o reconhecimento de que uma parte da cidade está em guerra com outra, como aconteceu na Argélia, ou na África do Sul da fase mais agressiva do "apartheid".

Esse passo não é dado porque, apesar dos surtos demofóbicos, a sociedade brasileira nunca se associou a um projeto desse tipo. Colocando a coisa de outro modo: o pedaço da sociedade que seria capaz de apoiar uma política de violência segregacionista levando-a a consequências extremas, ainda não tem coragem para vocalizar suas propostas e não haverá de tê-la nos próximos anos. Pensar que essa linha de pensamento não existe é colocar a ingenuidade a serviço das boas maneiras.

A metáfora da guerra não define o inimigo mas, cavilosamente, deixa-o subentendido. Ele está na favela ("fábrica de marginais", na definição do governador Sérgio Cabral). Essa guerra sem inimigo produz cenários, cenas de batalha, vítimas e juras de vingança, nada mais. Tudo fica parecido com "Tropa de Elite". Uma metáfora pode sustentar um filme, mas não resolve as questões da segurança de uma cidade.

Se o clima de guerra sair da agenda do Rio, não há qualquer garantia de que as coisas melhorem, mas pelo menos será retirada a cortina de fantasia que mascara políticas públicas fracassadas
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Lula é contra legalização das drogas para evitar consumo

19 de outubro de 2009

Após anunciar que o governo federal irá repor o helicóptero abatido por traficantes, sábado, no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em resposta a jornalistas, ser contra a descriminalização das drogas no País. "Eu, sinceramente, não acredito que a legalização das drogas vai resolver o problema do consumo. Não acredito." A proposta é defendida pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Na avaliação de Lula, os países ricos devem ser mais rígidos com os consumidores de drogas. "Temos de ser mais duros, precisamos evitar que as pessoas consumam. É preciso ter um processo de Educação, porque a cada dia o problema cresce mais. Cada dia temos a sensação de que é uma causa perdida, mas não podemos desanimar", encorajou Lula.

Ele afirmou que os investimentos do governo federal nas favelas têm o objetivo de reforçar a presença do Estado nas comunidades. "Estaremos dispostos a fazer tudo o que o governador (Sérgio Cabral, do Rio) precisar, limpando essa sujeira que essa gente põe no Brasil e no mundo. Tanta gente trabalhadora e honesta e uma meia dúzia de pessoas consegue ser chefe de outra meia dúzia que termina criando uma imagem negativa e vitimando pessoas honestas no Brasil", criticou o presidente.

Identifican a narcotraficante que derribó helicóptero en Brasil

El aparato habría sido alcanzado por un misil antiaéreo comprado en 200 mil reales (unos 70.000 dólares).

por "La Tercera" - Santiago

El hombre más buscado de Brasil, es el narcotraficante Luis Fabiano Atanazio da Silva, conocido como "FB", uno de los jefes de la organización criminal Comando Vermelho (CV, comando rojo) que consiguió su objetivo: derribar un helicóptero policial para demostrar su poder e invadir favelas controladas por sus rivales.

FB es apuntado por la Policía Civil (de investigaciones) como el máximo responsable de las 12 muertes ocurridas el sábado durante la invasión de 100 hombres armados del Comando Vermelho al Morro dos Macacos, controlado por la banda de narcos rival, Amigos de los Amigos (ADA).

Comando Vermelho y Amigos de los Amigos se disputan el control del casi el millar de favelas de Rio de Janeiro junto a las milicias parapoliciales. El máximo jefe del CV es Fernandinho Beira Mar, preso en una prisión federal y llamado de "presidente" por sus cómplices.

El sábado de guerra los grupos criminales protagonizaron un tiroteo de 10 horas seguidas que aterrorizó a la población y puso en jaque a la imagen ganada hace dos semanas por la ciudad maravillosa, elegida para ser sede de los Juegos Olímpicos 2016.

El narco controla la favela de Vila Cruzeiro, en la zona norte de Rio de Janeiro, que forma parte de la gigante comunidad llamada Complexo do Alemao. Vila Cruzeiro es conocida fuera de Brasil, además, por ser el barrio donde nació y se crió el futbolista Adriano.

El secretario de Seguridad Pública de Rio de Janeiro, José Beltrame, reconoció que la policía sabía de la invasión del CV al Morro dos Macacos, pero no pudo evitarlo dada la complejidad de los accesos a la favela.

De acuerdo a fuentes del servicio de inteligencia de la Secretaría de Seguridad Pública de Rio de Janeiro, el narco FB les había dicho por uno de sus celulares, interceptados por la policía, a uno de sus lugartenientes: "Quiero bajar un helicóptero de la policía".

Ese dato se robusteció dado que el diario carioca O Dia, el mejor informado sobre el accionar del crimen organizado en Rio de Janeiro, publicó que el narco "FB" "habría dado la orden de derribar el helicóptero Esquilo de la Policía Militar con un misil antiáreio comprado por 200 mil reales (unos 70.000 dólares)".

Para el gobierno de Rio de Janeiro, el avance del Comando Vermelho fue una "acción desesperada ante el la policía de pacificación de comunidades", según Beltrame.

El diario O Globo informó que la Policía Militar no dio la atención adecuada a las tareas de los servicios de inteligencia de la Policía Civil sobre la invasión. FB convocó a la "infantería" de Vila Cruzeiro, su territorio, y a miembros del Comando Vermelho de las favelas de Mangueira, Jacarezinho y Providencia.

Mientras la policía rodeaba los accesos a la colina, el plan de los narcos del Comando Vermelho funcionó a la perfección, dado que muchos hombres armados entraron por tierra desde el vecino Morro Sao Joao en los primeros minutos del sábado.

El sábado por la tarde habían ingresado a la favela varios criminales rivales en automoviles robados en los últimos días. Es que el jefe del narcotráfico del Morro dos Macados, del grupo ADA, había sido detenido el miércoles en una operación policial, por lo que la guardia estuvo baja para proteger sus posiciones.

Según el diario O Globo, el narco FB llamó por teléfono, vencedor de la guerra en el Morro dos Macados a un jefe criminal rival que controla el narcotráfico en uno de los símbolos de Rio de Janeiro, la comunidad de Rocinha, en la zona sur de la ciudad maravillosa.

"Si ustedes no me siguen, voy a ir a matar más allí", amenazó FB a su rival de la Rocinha.

"No estamos movidos por un sentimiento de venganza sino de justicia. Ellos serán víctimas de sus propias elecciones", advirtió el jefe general de la Policía Militar de Rio de Janeiro, Mario Sergio.

Por su parte, el jefe de la Policía Civil (investigaciones), Alan Turnowski, completó: "Los delincuentes tienen armas largas, fusiles calibre 762 y calibre 556, armas con las cuales el proyectil alcanza grandes distancias y tienen un alto poder de perforación de chapas. Todavía no sabemos qué es lo que derribó al helicóptero".

RIO DE JANEIRO, 17/10/2009

- Confira na íntegra a nota da assessoria de imprensa da Polícia Militar sobre a guerra de traficantes que abalou o Rio neste sábado:

A assessoria de imprensa da PMERJ informa que em princípio, bandidos do Complexo do Alemão e do Jacarezinho invadiram o Morro dos Macacos, através do Morro São João por volta das 3h da manhã deste sábado.

O 6º BPM (Tijuca) realizou operação policial para reprimir a ação criminosa. O Bope e o Batalhão de Choque apoiaram essa ação. Nesta operação um soldado PM do 6º BPM ficou ferido.O helicóptero do Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM) pousou para socorrer o mesmo e o levou até o Hospital Central da Polícia Militar.

A aeronave voltou ao local para apoiar a operação policial e foi atingida.

Houve um princípio de incêndio ainda no ar e o piloto, mesmo atingido por um tiro, conseguiu heroicamente fazer um pouso forçado, num pequeno campo de futebol, impedindo uma tragédia ainda maior. Quatro tripulantes desembarcaram e foram socorridos, mas infelizmente, dois policiais militares não resistiram e faleceram. Um PM ferido está em estado grave. (e veio a falecer 2 dias depois, com 80% do corpo queimado)

Foi montado um gabinete de gerenciamento de crise no 6º BPM composto pelo comandante-geral coronel Mario Sergio de Brito Duarte, os chefes do Estado Maior coronel Álvaro Garcia e coronel Carlos Eduardo Milagres, o comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (Capital) coronel Marcus Jardim, além dos comandantes dos Batalhões de Choque, coronel Robson Rodrigues e do Bope, coronel Luiz Henrique. Todos os batalhões do 1º, 2º, 3º e 4º CPAs (capital, grande Niterói, Zona Oeste e Baixada) estão de prontidão.

Um grande cerco policial foi montado para busca e captura dos criminosos.

Até o momento são três presos. As apreensões estão sendo reunidas para apresentação posterior.

Na ação do Morro dos Macacos, três criminosos morreram em confronto, dois policiais militares do GAM faleceram, dois PMs do 6º BPM ficaram feridos, porém, estão fora de perigo.

A assessoria de imprensa acrescenta que os ônibus incendiados seriam ações orquestradas pelos criminosos para facilitar a fuga.

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