Niterói destina a conselho o dobro da verba prevista para contenção nos morros

RIO - Os gastos do Conselho Consultivo da prefeitura de Niterói - criado por lei proposta pelo Executivo em maio de 2009 - estão na berlinda. Em sessão plenária, na noite desta quarta-feira na Câmara, o vereador Waldeck Carneiro (PT) anunciou que vai pedir ao prefeito Jorge Roberto Silveira o fim da remuneração dos seus conselheiros, que recebem R$ 6 mil por mês e se reúnem uma vez por semana. O orçamento do município destina, este ano, R$ 2,2 milhões ao conselho, mais que o dobro do previsto nos quatro programas voltados para recuperação, limpeza e reflorestamento de encostas (R$ 966.140).
- Agora, com as enchentes, o prefeito deveria ter a atitude digna de decretar o fim da remuneração dos conselheiros. Os gastos com o conselho contrastam com as verbas destinadas a áreas como contenção de encostas, habitação popular e drenagem - disse Waldeck.
A Defesa Civil pode estar incluída entre os órgãos que não estão sendo tratados com prioridade. Segundo informou Ancelmo Gois, na terça-feira, em sua coluna no GLOBO, ela conta com apenas quatro funcionários. A prefeitura não deu informações sobre a estrutura de sua Defesa Civil.
Conselho tem até cantor e compositor
- O Conselho Consultivo foi criado para dar um lugar no governo a pessoas que ajudaram na campanha do prefeito - reclama o presidente do PSOL e secretário-executivo do Fórum Popular do Orçamento, Paulo Eduardo Gomes. - Por que outros conselhos municipais, como os da Saúde, da Educação e o de Políticas Públicas, não têm remuneração?
- Queremos trabalhar pela cidade. Não estamos aqui pelo dinheiro - contesta o conselheiro Wolney Trindade (PMDB), ex- vice-prefeito de Niterói, ex-deputado e ex-vereador.
Na noite desta quarta-feira, um ato ecumênico realizado pela ONG Rio de Paz reuniu, perto do Morro do Bumba, moradores e parentes de vítimas dos deslizamentos. Até agora, foram registradas em Niterói 165 mortes (44 no Bumba), de um total de 251 em todo o estado. A prefeitura de Niterói não sabe informar o número de óbitos por regiões.
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