Eleições: dinheiro no colchão

fonte: O GLOBO

RIO - Candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), declarou ter em casa R$ 113 mil. Na declaração de bens encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a petista informou ter em caderneta de poupança R$ 47 mil, e outros R$ 113 mil em moeda nacional, em espécie.
Procurada na terça-feira, a assessoria de Dilma respondeu que a candidata não comentaria o fato, argumentando que não é ilegal. Mas seus adversários afirmaram que uma figura pública, candidata a dirigir o país, tem que explicar por que mantém esse dinheiro fora do banco.
- Um ministro de Estado, candidato a presidente, guardando essa dinheirama em casa? Se faz isso é porque não pode justificar no banco. E o pior é que ela não é nem nordestina como o cabra do PT que, flagrado com dinheiro na cueca, disse que no Nordeste há o hábito de guardar dinheiro em casa - provocou o líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA).

No cenário das candidaturas estaduais, entre os que informaram ter dinheiro vivo em cofre particular, está o candidato a deputado federal, Renato Cozzolino (PR), com R$ 570 mil. É o equivalente a 43% do patrimônio do candidato declarado ao TSE. Na lista do dinheiro no colchão, consta também o candidato a deputado estadual Jorge Mauro (PTC).

Ao tribunal, o ex-vereador do município do Rio pelo DEM informou guardar R$ 220 mil (85% do patrimônio) em "moeda estrangeira", sem especificar, no entanto, de qual país é o dinheiro. Na concorrência para uma vaga na Alerj, os candidatos à reeleição Coronel Jairo (PSC), com R$ 130 mil, e Gerson Bergher (PSDB), com R$ 60 mil guardados "em caixa".

Na lista de candidatos a deputado federal pelo Rio, Arolde de Oliveira (DEM), que tenta mais uma re-eleição, tem R$ 150 mil em cofre particular. O ex-secretário municipal de Transportes é também um dos mais ricos entre os concorrentes fluminenses: R$ 5,4 milhões em ativos. O mais caro é um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio, no valor de R$ 1,5 milhão.

Entre os que pretendem compor a bancada fluminense na Câmara, os candidatos Elymar Santos (PP), com R$ 36 mil; e os concorrentes à reeleição Laura Carneiro (PTB), com R$ 20 mil; Andrea Zito (PSDB), R$ 15.600; e Chico Alencar (PSOL), com R$ 14.341, são alguns dos que informaram ter dinheiro longede bancos.

Primeiro suplente da candidatura de Cesar Maia (DEM) ao Senado, o empresário Ronaldo Cezar Coelho informou ter R$ 564.530.454,24. A lista de bens que compõe o meio bilhão do ex-deputado federal e secretário municipal de Saúde é detalhada. Há dezenas de obras de arte, como quadros de Portinari, Guignard e Tomie Otake, Iberê Camargo e escultura de Frons Krajcberg, sem contar o helicóptero de R$ 5,2 milhões, imóveis e participações acionárias. Em relação a 2006, quando Ronaldo se candidatou ao Senado, seu patrimônio aumentou em 14%.

Um personagem famoso do mundo do futebol, no entanto, surpreende em não figurar na lista de candidatos milionários. Romário de Souza Faria, ex-artilheiro e candidato a deputado estadual pelo PSB, declarou ter riquezas, que, somadas, chegam a R$ 884 mil. Envolto no ano passado em uma briga judicial que o fez perder a cobertura de R$ 9 milhões no luxuoso condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca, Romário sequer tem um carro declarado em seu nome. Para o TSE, o único veículo que disse ter é uma moto BMW, ano 2002, no valor de R$ 23 mil.

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