Outra vítima de bala perdida, no Rio

fonte: o globo

Enterro de menino morto por bala perdida no Rio comove parentes e amigos

O menino de 11 anos baleado dentro da sala de aula foi enterrado no Rio de Janeiro. Parentes, professores e amigos de classe se emocionaram e lembraram dos sonhos interrompidos.


Como consolar uma criança, tentar aliviar a dor de quem viu o melhor amigo morrer e ainda acompanhou o enterro? A mãe de Wesley precisou de amparo. O pai conseguiu desabafar. Falou do filho: “Tudo de bom, um filho exemplar. Era meu filho e amigo ao mesmo tempo”.

Falou da revolta que sentia: “Eu quero Justiça. O que eu peço é só Justiça”, disse o pai de Wesley, Ricardo de Andrade.

Emocionados, os professores de Wesley não tinham palavras para expressar como é educar crianças em uma área de risco. Ontem, o menino foi atingido no peito por um tiro de fuzil, quando assistia a uma aula de matemática, em uma escola do Rio de Janeiro. Trinta alunos – entre 10 e 12 anos - testemunham a cena. Wesley foi socorrido por professores e chegou morto ao hospital.

Naquele momento, policiais faziam uma operação em duas favelas que ficam perto da escola e entraram em confronto com os traficantes. Outras seis pessoas também morreram.

“Eu acho que já passou da hora do basta. Se foi a polícia, se foi traficante, não interessa, não vai trazê-lo de volta. Mas que sirva de lição”, pediu o tio de Wesley, Sílvio de Andrade.

Na semana passada, uma menina de 13 anos foi atingida por uma bala perdida quando voltava do colégio, que fica perto da escola onde Wesley estudava. As aulas tinham sido suspensas por causa de uma operação policial. A menina perdeu a visão no olho direito.

O comando da Polícia Militar investiga o que deu errado na operação de ontem. A perícia ainda não revelou de onde veio o tiro que matou Wesley de Andrade. As armas dos policiais foram apreendidas e o comandante do batalhão, responsável pela operação, foi exonerado.

“O resultado da operação foi muito ruim. Uma criança inocente morreu dentro de sala de aula. Isso é um resultado desastroso, lastimável”, apontou o comandante geral da PM-RJ, coronel Mário Sérgio Duarte.

Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade tinha 11 anos. Há dois meses, ele foi um dos alunos ouvidos pelo Jornal “O Globo” em uma série de reportagens sobre escolas afetadas pela violência. Em uma carta, ele escreveu que queria ser bombeiro. Destacou os tiros, principal problema da comunidade onde morava: "porque os tiros matam muita gente."

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