FATOS sobre a pandemia pelo virus Influenza A
Sobre a pandemia de influenza "A" (H1N1), inicialmente denominada "gripe suína", algumas considerações devem ser feitas, uma vez que existem pontos fundamentais fora de debate.
Encontra-se interessante passagem na edição de 2006 do "Molecular biology of the Cell", bíblia fundamental do conhecimento humano acerca da biologia celular - ou seria uma premonição?:
"Antes de 1900 a linhagem de influenza que infectava humanos provocava uma doença muito pouco intensa. Uma outra linhagem de influenza infectava aves, como patos e galihhas, mas não era capaz de infectar humanos. Ambas as linhagens, no entanto, podem infectar suínos e eventualmente, após uma recombinação em suínos, formar novas linhagens que causem doenças sérias em humanos.
"Em comunidades onde os porcos são criados próximos às galinhas ou aos perus, novas linhagens de influenza podem emergir periodicamente e causar pandemias. A primeira e mais séria destas epidemias foi a "gripe espanhola" de 1918, que matou mais pessoas do que a Primeira Guerra Mundial."
Se a criação doméstica já representa um problema potencial, as criações industriais em larga escala de espécies suínos junto de galinhas e patos, resulta em problemas de proporções significativamente maiores, no que diz respeito especificamente ao vírus influenza.
Visto que os custos operacionais de uma redistribuição de toda a industria agropecuária mundial parece inviável, estaremos sujeitos à frequentes pandemias de quando em quando e, teoricamente, cada vez com maior frequencia.
Poucos perdem com isso. Não há disposição política para desestabilizar a industria agropecuária, a industria de laboratórios farmacêuticos internacional vibra e, além disso, é capaz de estimular a nossa fé.
Pois à respeito do vírus influenza, sabemos que tudo pode acontecer.
O virus influenza contém em seu genoma fitas de RNA - em geral nove - que são altamente recombinantes, ou seja, mutam-se com grande facilidade.
A mutação no genoma viral pode significar, por exemplo, a capacidade do vírus de produzir determinadas proteínas que antes não produzia. E estas "novas" proteínas, resultado da mutação intensa e aleatória - característica deste vírus , podem influenciar na sua capacidade de disseminação e, inclusive, na sua virulência (agressividade).
Quando duas linhagens de influenza infectam um mesmo hospedeiro, as fitas de RNA das duas linhagens podem reorganizar-se a ponto de criar uma terceira linhagem distinta, com novas características ainda desconhecidas.
E foi exatamente isso o que ocorreu na geração do H1N1 (Influenza A).
H5N1 é o virus influenza "comum" com vacinas produzidas anualmente, após estudo epidemiológico das cepas. Isso significa que todos os anos, os pesquisadores estudam as características do virus influenza que está circulando naquele momento, produzindo uma vacina específica. O H5N1 tem mantido um padrão de mutação que, a despeito de uma maior virulencia ocasional, não demonstra significativo aumento da mortalidade nos últimos anos.
A presença do H1N1, como nova linhagem de influenza capaz de infectar humanos, trás um novo problema, pois nenhum cientista se atreve a prever o que acontecerá com certeza. A preocupação é justamente por não se saber exatamente o que ocorrerá.
Até o momento, esta linhagem circulante do H1N1 demonstrou um grande poder de disseminação, sempre igual ou superior ao do H5N1. Felizmente, na grande maioria dos casos, produz quadros leves, ocasionalmente sendo até mesmo assintomático.
Possui características especiais, contudo. Tem uma notada predileção pelo adulto jovem e pelas crianças. Apresenta alta morbidade em gestantes, sendo frequente causa de aborto expontâneo; em pacientes imunodeprimidos ou em uso de medicação imunomoduladora, pode desenvolver quadros graves, complicados por superinfecção bacteriana.
A evolução de uma pandemia para uma linhagem completamente nova, como é o caso do vírus H1N1, é de 5 anos em média. Isso significa que este é um tempo razoável para que este virus "mostre a sua cara", e a comunidade científica possa formar opiniões de maior respaldo sobre a atual pandemia.
É preciso que muitos milagres aconteçam para que percorramos ilesos em nosso caminho pelo Universo, a bordo de um planetinha à 360.000km/h, girando, e ainda poder discutir questões como essa. Mas, se não considerarmos isso, temos o controle de todo o resto!
Isso significa que não se pode dizer muito sobre o que acontecerá nos próximos anos, somado o risco de que duas linhagens de influenza capazes de infectar uma mesma espécie é todo o requisito necessário para a formação de uma terceira, quarta ou quinta linhagem diferente. Mas não podemos saber. Quem dá as cartas daqui pra frente é o vírus.
O Tamiflu segue sendo o tratamento de escolha, embora já tenha sido detectado a resistência de algumas cepas. Tem demonstrado eficácia no tratamento da grande maioria dos casos mais graves. Porém, tomá-lo de forma "profilática" (preventiva) pode não apenas despertar reações adversas desagradáveis,como também induzir a formação de cepas resistentes ao medicamento.
A produção de uma vacina deve ser seguida com cuidado, sob risco de efeitos colaterais indesejáveis e potencialmente danosos ao indivíduo. É prudente aguardar todas as certificações de segurança antes de considerar a vacinação das populações.
Uma vacina segura e eficaz, no modelo da que já possuímos para influenza anual, ainda está sendo desenvolvida e não tem uma data certa para certificação ou distribuição. Seria de todas as maneiras benéfica, na prevenção das complicações pela infecção sazonal do virus influenza A.
Encontra-se interessante passagem na edição de 2006 do "Molecular biology of the Cell", bíblia fundamental do conhecimento humano acerca da biologia celular - ou seria uma premonição?:
"Antes de 1900 a linhagem de influenza que infectava humanos provocava uma doença muito pouco intensa. Uma outra linhagem de influenza infectava aves, como patos e galihhas, mas não era capaz de infectar humanos. Ambas as linhagens, no entanto, podem infectar suínos e eventualmente, após uma recombinação em suínos, formar novas linhagens que causem doenças sérias em humanos.
"Em comunidades onde os porcos são criados próximos às galinhas ou aos perus, novas linhagens de influenza podem emergir periodicamente e causar pandemias. A primeira e mais séria destas epidemias foi a "gripe espanhola" de 1918, que matou mais pessoas do que a Primeira Guerra Mundial."
Se a criação doméstica já representa um problema potencial, as criações industriais em larga escala de espécies suínos junto de galinhas e patos, resulta em problemas de proporções significativamente maiores, no que diz respeito especificamente ao vírus influenza.
Visto que os custos operacionais de uma redistribuição de toda a industria agropecuária mundial parece inviável, estaremos sujeitos à frequentes pandemias de quando em quando e, teoricamente, cada vez com maior frequencia.
Poucos perdem com isso. Não há disposição política para desestabilizar a industria agropecuária, a industria de laboratórios farmacêuticos internacional vibra e, além disso, é capaz de estimular a nossa fé.
Pois à respeito do vírus influenza, sabemos que tudo pode acontecer.
O virus influenza contém em seu genoma fitas de RNA - em geral nove - que são altamente recombinantes, ou seja, mutam-se com grande facilidade.
A mutação no genoma viral pode significar, por exemplo, a capacidade do vírus de produzir determinadas proteínas que antes não produzia. E estas "novas" proteínas, resultado da mutação intensa e aleatória - característica deste vírus , podem influenciar na sua capacidade de disseminação e, inclusive, na sua virulência (agressividade).
Quando duas linhagens de influenza infectam um mesmo hospedeiro, as fitas de RNA das duas linhagens podem reorganizar-se a ponto de criar uma terceira linhagem distinta, com novas características ainda desconhecidas.
E foi exatamente isso o que ocorreu na geração do H1N1 (Influenza A).
H5N1 é o virus influenza "comum" com vacinas produzidas anualmente, após estudo epidemiológico das cepas. Isso significa que todos os anos, os pesquisadores estudam as características do virus influenza que está circulando naquele momento, produzindo uma vacina específica. O H5N1 tem mantido um padrão de mutação que, a despeito de uma maior virulencia ocasional, não demonstra significativo aumento da mortalidade nos últimos anos.
A presença do H1N1, como nova linhagem de influenza capaz de infectar humanos, trás um novo problema, pois nenhum cientista se atreve a prever o que acontecerá com certeza. A preocupação é justamente por não se saber exatamente o que ocorrerá.
Até o momento, esta linhagem circulante do H1N1 demonstrou um grande poder de disseminação, sempre igual ou superior ao do H5N1. Felizmente, na grande maioria dos casos, produz quadros leves, ocasionalmente sendo até mesmo assintomático.
Possui características especiais, contudo. Tem uma notada predileção pelo adulto jovem e pelas crianças. Apresenta alta morbidade em gestantes, sendo frequente causa de aborto expontâneo; em pacientes imunodeprimidos ou em uso de medicação imunomoduladora, pode desenvolver quadros graves, complicados por superinfecção bacteriana.
A evolução de uma pandemia para uma linhagem completamente nova, como é o caso do vírus H1N1, é de 5 anos em média. Isso significa que este é um tempo razoável para que este virus "mostre a sua cara", e a comunidade científica possa formar opiniões de maior respaldo sobre a atual pandemia.
É preciso que muitos milagres aconteçam para que percorramos ilesos em nosso caminho pelo Universo, a bordo de um planetinha à 360.000km/h, girando, e ainda poder discutir questões como essa. Mas, se não considerarmos isso, temos o controle de todo o resto!
Isso significa que não se pode dizer muito sobre o que acontecerá nos próximos anos, somado o risco de que duas linhagens de influenza capazes de infectar uma mesma espécie é todo o requisito necessário para a formação de uma terceira, quarta ou quinta linhagem diferente. Mas não podemos saber. Quem dá as cartas daqui pra frente é o vírus.
O Tamiflu segue sendo o tratamento de escolha, embora já tenha sido detectado a resistência de algumas cepas. Tem demonstrado eficácia no tratamento da grande maioria dos casos mais graves. Porém, tomá-lo de forma "profilática" (preventiva) pode não apenas despertar reações adversas desagradáveis,como também induzir a formação de cepas resistentes ao medicamento.
A produção de uma vacina deve ser seguida com cuidado, sob risco de efeitos colaterais indesejáveis e potencialmente danosos ao indivíduo. É prudente aguardar todas as certificações de segurança antes de considerar a vacinação das populações.
Uma vacina segura e eficaz, no modelo da que já possuímos para influenza anual, ainda está sendo desenvolvida e não tem uma data certa para certificação ou distribuição. Seria de todas as maneiras benéfica, na prevenção das complicações pela infecção sazonal do virus influenza A.
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